Povo deste bloco, quero dizer, deste blog: está chegando o dia no qual esta vossa serva desfilará no carnaval paulista. Leiam abaixo o motivo deste meu auto de carnaval! Meu beijo, Consuelo.
Olá queridos, saudades!!! Espero que 2010 nos dê muitas alegrias! Já tenho algumas boas notícias: Ontem fui convidada para desfilar no Carnaval de São Paulo: farei parte da comissão que estará a frente do carro do Rolando Boldrin na escola de samba Pérola Negra!! Grupo especial de São Paulo. O enredo será uma homenagem ao Boldrin: vamos tirar o Brasil da gaveta! Em março estarei em Brasília para dois shows no CCBB (dias 27 e 28 ): projeto Nossa Língua, Nossa Música! Em maio estarei em Curitiba para três shows (dias 28, 29 e 30) com a Orquestra a Base de Corda (maestro João Egashira). Em novembro (dia 23) retornarei a Curitiba para um show da série solo música na Caixa Cultural.
Deixo abaixo alguns links para o Youtube: conseguimos dividir melhor o programa ENSAIO e os trechos do show dança das rosas no Teatro Municipal de São Paulo. Vejam que gostoso ficou assistí-los!
Fui assistir ao show de Maria Bethânia em Belo Horizonte, na capital do estado onde nasci. Um show impecável, delicioso. Fui cumprimentá-la após o show. Ainda não havíamos nos encontrado. Ouvi palavras bonitas que guardarei junto com minhas canções.
Dias depois foi publicada no jornal Estado de Minas uma matéria do crítico musical e jornalista Sergio Reis.
1 Participei da IV Jornada do Núcleo de Ensino da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP. Ministrei uma palestra - Estética musical contemporânea e musicalidade brasileira - que foi publicada no livro:
Marx, Gramsci e Vigotski: APROXIMAÇÕES Organizadores: Sueli Guadalupe de Lima Mendonça, Vandeí Pinto da Silva, Stela Miller Cultura Acadêmica Editora Junqueira&Marin Editores
O livro já se encontra nas livrarias.
Neste livro tem também um artigo maravilhoso: Arte para pensar a vida e educar os sentidos. Palestra proferida por Fátima Cabral.
O livro todo é incrível. Sinto-me muito honrada em ver minhas simples palavras na companhia de grandiosos textos.
2 Tem uma matéria muito bonita sobre o meu trabalho no Alamanaque Saraiva deste mês (pág 14). Matéria escrita pelo Diego Muniz. No site da Livraria Saraiva é possível ler a matéria também.
3 Farei um programa numa TV Virtual neste sábado, convido a todos para assistir e participar:
PROGRAMA ALL TV MULHER AO VIVO - APRESENTAÇÃO DE MUNA ZEYN SÁBADO DIA 14 DE NOVEMBRO DAS 17 ÀS 18HS ENTREVISTA E MÚSICA para assistir: www.alltv.com.br
Foto tirada durante a oficina Estética musical contemporânea e musicalidade brasileira, que foi agora publicada no livro Marx,Gramsci e Vigotski: Aproximações.
Seu primeiro desejo era ser sanfoneiro. Menino magrinho e muito quieto na aparência. Só na aparência. Quando a casa dava conta da presença dele é porque havia colocado fogo na garagem ou trocado a bicicleta da irmã por um coelho, ou pintado a jaqueta preta com o nome de Noel Rosa. Neste último caso estou com ele!
Não encontrou nenhum professor de sanfona. Resolveu ler apostilas de literatura. Sabia poemas inteiros dos inconfidentes. Quando não estava lendo poesia é porque estava vendendo michiricas no campo de futebol da pequena cidade do interior de Minas Gerais. Tangerinas estas que ele havia apanhado das árvores da casa da avó que vigiava as frutas - quase dia e noite - para garantir que chegassem até a maturidade. Mas, pra ele podiam estar verdolengas mesmo, pois seriam apreciadas com muito sal!
Seu segundo desejo foi ser poeta. De preferência um poeta de um tempo passado e longínquo. Com o charme daqueles tempos. E como o tempo não volta, ele desistiu de sua segunda profissão. Bárbara Heliodora não havia mais, Marília de Dirceu, nem barroco, nem romantismo.
Resolveu então que iria ser boêmio. E dos bons! Daqueles que tocam caixa de fósforos e tudo! Pulam a janela, fogem da escola. Mas são bons sinuqueiros, têm alma de poeta e bom gosto musical, isso ninguém pode negar.
Sabia todas as letras das canções interpretadas por Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Silvio Caldas. Sabia também os sambas do Noel Rosa, Ciro Monteiro e Ataulfo Alves. Ah, deste ele sabia toda a biografia e de tanto declamá-la em frente ao espelho, foi ser farmacêutico. Bem, esta é outra história. Coisa de família...
Além de ser fã dos boêmios e dos poetas, é fã de seu pai que também é farmacêutico.
Túlio herdou os passos do pai, a dança única inventada pelo Sr Luiz.
E Tulinho nasceu no dia quatro de novembro. A noite se apresentava estrelada. A lua se fazia seresteira e a roda de samba amanheceu o dia. Mataram um pobre gato pra fazer tamborim. Mas, um enorme lírio branco nasceu. Um lírio até então nunca visto.
Acho que foi um jeito da natureza dizer que nascia um menino batuta, um mineirinho, um brasileiro danado de bom. Que depois de botar fogo na casa seria um moço do bem. Sabem daquelas pessoas que mesmo estando sofrendo transmitem paz? O fogo é por causa das paixões que ele provocaria. E o lírio é por causa do enorme coração que ele tem.
Hoje é Titúlio, Dr. Túlio, mano Túlio (nada a ver com hip hop porque ele ainda é Noel) e arrimo de família. O filho de Dona Zélia, o moço amado da vizinhança e das benzedeiras.
Não pode ser sanfoneiro, mas deu a volta por cima e uma coisa ninguém pode tirar dele: o prazer de ouvir um bonito samba. Ele sabe admirar e isto é pra poucos. Abram alas que ele sempre vai passar com sua elegância herdada, com o charme renovado dos antepassados e com seu sorriso comedido. Mas, não se iludam com este olhar de anjo, pois todo boêmio é malandro.
Lenço branco no bolso e um jeito único, diferente, uma maneira só dele de viver. Acho que encontrou uma forma de estar neste mundo, que às vezes é tão difícil pra quem nasce no dia quatro de novembro, no mesmo dia do nascimento do lírio gigante, debaixo de um céu tão estrelado e querendo ser sanfoneiro. Espero que as lindas músicas que hoje ele ouve, tragam um pouco do mesmo amor que ele as dedica.
Pois é, naquele dia nascia um menino nunca visto antes.
o meu parceiro Guilherme Rondon me entregou uma melodia. Escrevi a letra de La Negra. Guilherme e eu éramos e somos apaixonados pela Mercedes Sosa. Ele mora em Mato Grosso e conhece muito bem os ritmos brasileiros entrelaçados aos outros ritmos da América Latina. Mercedes Sosa é a artista que mais admiro. Minha solidão é bem maior agora. Deixo aqui neste blog a letra e o áudio de La Negra (gravação caseira que o Guilherme fez assim que mandei a letra). Vou pegar meu tambor e inventar um modo de tocá-lo para tentar dizer pra Mercedes o quanto ela foi e será uma artista e uma pessoa para a qual teremos que cantar, ouvir, aplaudir, agradecer e amar sempre.
La Negra (apelido carinhoso que ela recebeu dos argentinos e uruguaios).
LA NEGRA Para Mercedes Sosa
Consuelo de Paula
vento sul americano traz a voz que vem do mar atravessa a cordilheira vem cantar nesse lugar vento sul americano traz a mãe de todos nós flor das águas, flor guerreira rosa negra, negra voz sol noturno, sol de maio ilumina todo céu coração americano luz de um raio de luar no reino de santa rosa derrama o teu cantar senhora do meu lugar
meu pássaro bailarino traz melodias do mar do oceano do sul para o sertão do teu lugar meu pássaro sem destino que toca tambor no ar vestida de manto azul negra maria, vem dançar
dançar sobre a tua terra pousar no meu coração
Consuelo de Paula, para melodia de Guilherme Rondon, setembro de 2004
Visitei Minas para comemorar o aniversário do meu pai. Rabisquei umas palavras e li pra ele durante a festa:
para o meu pai
no décimo sexto dia de outubro nasceu luiz filho de dona cornélia, sobrinho de amélia e neto de theodorina filho da luz e do melhor puxador de quadrilha da região: seo aristides o filho caçula cresceu entre quintais, rios, hortas, frutas e muito trabalho seu primeiro emprego foi no cinema da cidade: ele é quem entregava a enorme fita de rolo que seria rodada numa máquina milagrosa que exibiria os filmes depois foi ajudante de marceneiro, centroavante do time de futebol fazedor de fórmulas químicas (outro milagre), primeiro dançarino da cidade baterista, batuqueiro, pescador e caçador casou-se com a moça mais bonita da região e tiveram três filhos (mais milagres) hoje ele canta sambas e toadas, conta causos, piadas e faz versos de improviso ah...e planta, planta, planta, não desiste de plantar árvores de todo tipo seo luiz é poeta seo luiz é pai é homem daqueles que ensinam pra onde deve caminhar a humanidade merece a princesa de olhos azuis que ele conquistou merece as flores que ele mesmo plantou e as rosas que cantarei sempre sua vida transparece na força que ele tem seo luiz é branco, seo luiz é negro elegância brasileira seo luiz não cabe em si são muitos brasis congadeiro, canoeiro e intelectual espécie em extinção parece virtual de tão real amplidão coração de quem cresceu entre rios deve ter chegado de navio na cidade que não tem mar coisa inventada seo luiz não existe
Sr Luiz e Dona Zéliacrédito da foto: Heloisa de Paula
Agora deixo vocês com o áudio do meu parceiro Rubens Nogueira cantando uma canção nossa – inédita – que se chama testamento. Letra que escrevi após ler o poema herança da Cecília Meireles.Canção que fará parte do meu álbum o tempo e o branco.
Duas alegrias: uma no Caderno 2 do Estadão e outra na TV Cultura:
Vejam que belíssima matéria assinada pelo crítico Lauro Lisboa Garcia do jornal O Estado de S. Paulo ( 1 de outubro de 2009), sobre os cds que Maria Bethânia está lançando. Destaco aqui alguns trechos onde sou citada:
Maria Bethânia lança dois álbuns com cantos de amor:
CD Tua e CD Encanteria
Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo
Enquanto gravava Tua, Bethânia acumulou tanta música de seu agrado - como as 15 de Roque Ferreira, das quais escolheu 7, outras de Paulo César Pinheiro, Roberto Mendes, Vanessa da Mata, Consuelo de Paula, Vander Lee, Jaime Alem -, que não cabiam na concepção do CD, que sentiu necessidade de registrar outro. Encanteria contém essas "sobras", no bom sentido, daquilo que ela pensa, sente e está "gostando no momento". Daí a necessidade do lançamento simultâneo, como fez com os tocantes Mar de Sophia e Pirata, em 2006.
Além disso há a canção Sete Trovas, parceria de Consuelo de Paula, Etel Frota e Rubens Nogueira. "Eu me emocionei com essa menina. Todo mundo me fala que fica impressionado com essa música. Aí tem uma homenagem embutida na letra, que cita Mel, Talismã e Rosa dos Ventos (títulos de discos de Bethânia). Ela é danada. E que musicalidade, que sinceridade, que canção espontânea", elogia.
Além da mineira Consuelo, Bethânia coloca em evidência dois novos baianos de Santo Amaro da Purificação, que ela também não conhecia. São Nizaldo Costa, letrista de Saudade Dela, e Nélio Rosa, parceiro de Márcio Valverde em Você Perdeu, uma das faixas de Tua. Com faixa-título assinada por Adriana Calcanhotto, o CD concentra maior número de compositores já contemplados por Bethânia em outros álbuns como Moacyr Luz e Aldir Blanc (Remanso), Arnaldo Antunes (parceiro de César Mendes em Até o Fim), Paulo César Pinheiro (que divide É o Amor Outra Vez com Dori Caymmi), o também santamarense Roberto Mendes (que assina O Nunca Mais com Capinan).
Variações de uma mesma fonte
O ponto de partida é o mesmo: com suavidade, o intimista Tua e o caloroso Encanteria decolam com o toque dos pianos de João Carlos Assis Brasil e Cristóvão Bastos, respectivamente. Daí para a frente, porém, cada um envereda por caminhos próprios até desembocar em duas : Domingo (Roque Ferreira) e Sete Trovas (Consuelo de Paula/Frota/Nogueira).
Ambas são bem representativas do universo lírico de Bethânia, revelando, por parte dos autores, profundo entendimento de sua personalidade, que, como de hábito,impressa em cada faixa dos CDs. No movimento de vai-e-vem de fora para dentro e de dentro para fora, há mergulhos profundos no interior geográfico - pela polirritmia nativa ao som de tambores, viola, acordeom, e paisagens naturalistas - e no íntimo da pessoa íntegra, viva em ambientes onde há espaço para o silêncio. A participação de outros músicos quebra a hegemonia da estética Brasileirinho, que Bethânia quer do maestro Jaime Alem.
No fim, tudo expressa fé no amor, seja por devoção ou se espraiando em alegria. São belezas da mesma fonte, que Bethânia explora coerentemente.
A TV Cultura exibirá na próxima terça feira (6 de outubro) as 22:10h, reprise no domingo seguinte (onze de outubro) as 13:30h, o Especial Quatro Anos do Programa Senhor Brasil. Estarei presente neste especial!!! Não percam!
Escrevo pra comemorar com vocês e com meus parceiros: abraços e mil beijos, Consuelo www.consuelodepaula.com.br
Meus queridos, hoje tenho uma notícia muito importante para lhes contar.
A maior intérprete deste país gravou uma música minha: Maria Bethânia está lançando o CD Encanteria, álbum que ela encerra com a canção Sete Trovas (Consuelo de Paula, Rubens Nogueira e Etel Frota). Esta canção faz parte do meu cd Dança das Rosas e é uma alegria enorme saber que em breve ouviremos na voz da Maria Bethânia!!! O lançamento nas lojas está previsto para o dia 5 de outubro de 2009. Deixo vocês hoje com a letra de Sete Trovas:
a canção é meu pecado minha dor e redenção meu brinquedo, meu reisado o meu bocado de pão
a canção é meu estado minha sina, distração meu folguedo, meu congado meu cajado, profissão
uma sorte, um presente estandarte, talismã minha comissão de frente uma filha temporã
um rebento, um trovão o estrondo da maré água benta, devoção luz pagã, auto-de-fé
uma fonte, um santo forte a função, o meu papel rosa dos ventos, meu norte coração vertendo mel
a canção é meu bailado meu sinal e meu bastão fandango, sapateado o final, a expressão
a canção é meu sossego meu destino, solidão minha paz, meu desapego minha dona, meu perdão
Fiz a passagem de agosto para setembro acompanhada pelo meu irmão Túlio. Ele veio me visitar em São Paulo: um presente e uma alegria imensa pra mim! Deixo vocês com uma fotografia destes dias tirada num bar de samba em Sampa, ocasião em que pude dançar muito com ele!
Festa para os Dez Anos de Samba, Seresta e Baião nos Dez Anos de Prata da Casa / Críticas & Fotos
Com este texto do crítico e curador Mauro Dias começo a escrever sobre o show que realizei dia 8 de agosto no SESC Pompéia - Mostra Prata da Casa Dez Anos - quando também comemorei dez anos de carreira.
"Mineira ali de perto da nascente do São Francisco, Consuelo de Paula traz impregnados na composição e na voz a tensão e os horizontes largos de sua origem, combinando o sotaque primal aos gêneros - todos parentes - que somados, definem o que é, afinal, a canção popular brasileira". Mauro Dias, para o livreto da Mostra Prata da Casa - Dez Anos - SESC Pompéia - SP, 8 de agosto de 2009
Estava no camarim quando li o texto e chorei qui nem o Grande Chico ( Rio São Francisco). Choro bom, de emoção. Os textos do Mauro também são como o Grande Rio: amplitude inexplicável.
Outra frase que me deixou muito honrada e feliz: frase de um mineiro que realiza uma música sem tamanho e encantada: "Ouvi o cd dança das rosas de Consuelo de Paula e assisti ao programa ensaio realizado com ela: gostei muito do que ouvi, da voz , da interpretação, e também do universo poético que ela tece com muita sensibilidade". Túlio Mourão
Deixo aqui, por enquanto, quatro fotos do show: crédito: Fa Cabral.
Textos meus publicados no NB Jornal de agosto de 2009:
Lembrete: será no próximo sábado: convido-os novamente para assistirem ao meu show no SESC Pompéia: estarei acompanhada pelo Jardel Caetano (violões); Cássia Maria (percussão e vocal); Alexandre Ribeiro (clarinete). Show Consuelo de Paula na Mostra Prata da Casa - 10 anos Dia 08 de agosto de 2009 às 21h00 SESC Pompéia Rua Clélia, 93 - Pompéia . SP Informações: (11) 3871.7700