Duas letras para uma única melodia: Eu e Deus

Já contei esta história numa coluna que eu tinha no portal individualidade, chamada samba, seresta e baião.
Estudei na cidade de Ouro Preto e ainda caloura participei de um show na Casa da Ópera (Theatro Municipal de Ouro Preto). Neste mesmo show, assisti encantada a um moço cantar lindamente uma canção sobre a aranha bailarina tecendo seu nome no ar. E ele tecia o nome da aranha com a voz e com o corpo. Passado algum tempo, assisti outro show neste mesmo teatro com o Grupo Beco do Carmo. O lindo moço que cantava as letras da aranha bailarina - Mário Barão - fazia parte deste grupo. Neste dia ouvi Eu e Deus, Diante de Mim, Saltos: canções que nunca saíram da minha memória. Antes de deixar a cidade descobri que um dos integrantes do grupo, Luiz Theodoro, era meu vizinho (morava na república Pulgatório). Convidei-o para ir até a minha república (Toka) e pedi para que ele cantasse todas aquelas canções. Gravei numa fita cassete e coloquei na mala de viagem.
Enquanto preparava meu segundo CD (tambor e flor), a melodia de Eu e Deus não saía da minha cabeça e cantarolei com outra letra (Pedaço de Deus). A canção original tem letra de Luiz Theodoro e melodia de Kleber Quintão. Pedi autorização para os dois compositores e eles me deixaram gravar a mesma melodia com a minha letra.
E a maravilha das maravilhas é que consegui com o Luiz este áudio (que é o motivo da minha escrita de hoje): O Luiz cantando Eu e Deus: letra do Luiz e melodia do Kleber. Lindo, lindo, lindo. Acordes luxuosos. Ai que saudade.



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Convido a todos para o ano novo em São Francisco Xavier: farei shows no dia 1 de janeiro e no dia 3 de janeiro. Vejam na agenda do meu site: www.consuelodepaula.com.br    

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Escrito por Consuelo de Paula às 13h13
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FESTA DA CONGADA NO SUDOESTE MINEIRO

A matéria do post anterior me fez lembrar de um texto que escrevi sobre as festas que acontecem no final do ano em Minas Gerais. Aliás, dia 8 de dezembro acontecerá o levantamento das bandeiras: é o compromisso, o mastro fincado no chão, a preparação para as comemorações, o ritual, a tradição, a dança e a fé. Sete bandeiras estarão tomando conta da praça, ao vento. Expostas ao sol e a chuva, em frente à Igreja do Rosário, esperando o som das caixas, da sanfona e da viola. E finalmente, o canto dos homens, as rainhas, os reis e as fitas. Esperam o nascimento.

FESTA DA CONGADA NO SUDOESTE MINEIRO
Por Consuelo de Paula       

Eles fazem suas caixas preparando o couro de boi e as bordas de madeira. Talham um pedaço de pau e já têm as baquetas. As roupas de marinheiros, brancas, azuis, verdes e amarelas, são decoradas com faixas e fitas. Sobre a cabeça, levam "quepes" ou chapéus, com ou sem longas fitas de cetim. São os congadeiros da minha região, sudoeste de Minas Gerais, São Sebastião do Paraíso, Itamogi, Pratápolis, Itaú de Minas, Fortaleza de Minas, Passos etc, que geralmente trabalham na roça durante o ano todo e, em dezembro, se transformam em capitães, sanfoneiros, violeiros, pandeiristas, dançarinos, congadeiros. Vão compor o seu terno (o conjunto, o grupo).   

Em Pratápolis existe um terno que, além da toada de congo, toca a mazurca e um outro rítmo de bailado. Vestem roupas coloridas, avermelhadas e têm coroa de penas sobre a cabeça. Bailam alto. E vestem sainhas como os moçambiqueiros.   

Os moçambiqueiros, ou maçambiqueiros, fazem suas gungas preparando latinhas que vão conter muitos chumbinhos e, do couro e da madeira, fazem um grande tambor que os acompanhará até o altar da igrejinha de Nossa Senhora do Rosário. Aliás, são os únicos que podem entrar na igreja. Entram tocando, bailando, cantando e saem olhando para o altar, nunca dão as costas para a santa. Vestem roupas claras, brancas, sainhas e gungas amarradas ao tornozelo. Sua rítmica é mais complexa, diferente das toadas que, por sua vez, são imponentes e elegantes.   

O povo destas cidades faz promessa  pra Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Santa Catarina, Santa Maria Madalena e, durante a festa da congada, pede pra que algum terno de congo ou moçambique vá até a sua residência e o leve,  vestido de rei ou rainha, com capa de cetim azul claro e coroa, acompanhado por uma pessoa que  segura uma sombrinha ou guarda-chuva aberto, até a igreja. Lá, cumpre sua promessa e segue novamente, caminhando atrás do terno, que vai até a casa do penitente  para completar  a função.    

O bom da história é que neste leva e trás, por promessa ou por paixão, os congadeiros vão tocando suas caixas e pandeiros, bailando e, principalmente, cantando. O capitão "puxa" os versos e improvisa pra que tudo se cumpra.   

Nasci e vivi em Pratápolis até os meus dezoito anos e, sempre que ouço o som da congada, meu coração se transforma. No dia oito de dezembro, as sete bandeiras sobem com os mastros (cada bandeira com o seu santo). Depois, do dia vinte e cinco  ao dia trinta e um de dezembro, acontece a festa. No dia primeiro de janeiro, os congadeiros descem as bandeiras na presença do rei congo perpétuo e de sua rainha.    Em São Sebastião do Paraíso há um congódromo com um desfile muito animado.    Em Itamogi, durante os dias de festa, todos comem num mesmo lugar. Muita comida é feita e a cidade, assim como qualquer visitante, pode matar a sua fome de comunhão. Foi em Itamogi que vi o capitão de um moçambique fazer o sinal da cruz com as mãos em sincronia com a sua dança, mostrando-me seu jeito de corpo tão especial e polirrítmico.    Em Passos, existe o terno dos Jerônimos, negros lindos, todos da mesma família, que tocam um forte bailado e cantam: "na janela eu tenho papagaio, na gaiola eu tenho piriquito; esse verso é do meu velho pai, é herança de São Benedito."    

Em Itaú de Minas (que é terra de folia de reis), há um lindo terno de marinheiros que cantam e dançam com muita classe e clareza.    Contei aqui um pouco do que vi, dentro da perspectiva de uma simples admiradora. Assim, pra finalizar, citarei palavras retiradas do livro "Civilização e Cultura" do Câmara Cascudo: "a pesquisa do popular é aquela que revela a contemporaneidade no milênio, o presente da antigüidade, as formas pretéritas vivas na diuturnidade do exemplo." "Vamos na mais pura macieza, vamos na maior delicadeza."  

Meu beijo, Consuelo.
 
 
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Escrito por Consuelo de Paula às 11h35
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